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25 maio 2004 

sua filha de Caim...

Por vezes, pequenos gestos, que saem fora da lógica estrita da mercantilização da vida, são autênticos lugares de delito. Mesmo hoje em dia, neste início de século com fortes bolsas de conformismo. É certo que já ninguém pratica o roubo de livros como atitude política. Mas mesmo assim. Há gestos que são lugares de delito. Basta deixar correr o inconsciente. Sobrepôr o "princípio de prazer" ao "princípio de realidade".
Um exemplo. Ontem encontrei numa livraria um livro do Eduardo Galeano. Pus-me a ler, fingindo uma certa desconfiança, para não levantar suspeitas. Humm... gosto desta escrita que varre o supérfluo. E ia lendo. Começando e acabando as suas pequenas estórias. Até que... "Desculpe, o senhor precisa de ajuda?". Não respondi "mas por acaso ouviu-me queixar!?". Abafei o "prazer" com a "realidade", fiz um ar de quem não encontrou o que precisava, agradeci e saí.
O texto que não terminei de ler, resgatei-o agora da internet. Porque há gestos delituosos, aqui vos devolvo. No original e tudo:

Puntos de vista/4

Desde el punto de vista del oriente del mundo, el día del occidente es noche.

En la India, quienes llevan luto visten de blanco.

En la Europa antigua, el negro, color de la tierra fecunda, era el color de la vida, y el blanco, color de los huesos, era el color de la muerte.

Según los viejos sabios de la región colombiana del Chocó, Adán y Eva eran negros y negros eran sus hijos Caín y Abel. Cuando Caín mató a su hermano de un garrotazo, tronaron las iras de Dios. Ante las furias del señor, el asesino palideció de culpa y miedo, y tanto palideció que blanco quedó hasta el fin de sus días. Los blancos somos, todos, hijos de Caín.

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