« Home | uma dúvida geracional tirada » | fora de jogo » | receita para não se morrer vivo » | O work in progress e os seus contratempos » | terra, mar e baby-sitting » | elogio da invulnerabilidade » | da ironia » | técnicas de marketing » | estados de espírito » | uma dúvida geracional » 

21 Maio 2004 

vasco, godot e a mãe da retoma

Vasco Pulido Valente é uma daquelas personagens incómodas que, por vezes, é impossível não admirar. Convidado pela campanha "Portugal Positivo" para exorcizar a falta de "auto-estima" dos portugueses, VPV encaminhou-se exactamente pela estrada oposta. Considerou que o português estima demasiado as suas elites. Falou da expressão "Portugal Positivo" como um "coloquialismo americano" que contribui para aumentar o verdadeiro problema histórico de Portugal: "o fracasso da imitação". E rematou com estas palavras que respigo do Público:"Como é que se ultrapassa a depressão? Com um novo ciclo de prosperidade. Se houver mais dinheiro as pessoas começam logo a sentir-se melhor, nem precisam deste tipo de conferências." Não estive lá. Mas senti-me representado.
Também eu torço o nariz a iniciativas destas. Parecem-me apenas uma tentativa ardilosa de cobrir a "crise" com o manto opaco de uma auto-inferiorização culturalmente enraizada. De nos fazer crer no estado de espírito como "motor da história". É esta convicção que, no fundo, tece ideologicamente os discursos governamentais, onde a retoma aparece como um Godot que está e não está. Só não a vemos porque ainda não dobrou a esquina. Apesar das evocações de todos os nossos "Vladimir" e "Estragon" de serviço.
O que eles não sabem é que a mãe ensinou-a a não seguir estranhos. Enfim, uma mãe desconfiada. Pessimista.

|