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09 junho 2004 

a inconfessável gestão da morte

Morreu Sousa Franco. Se a morte é sempre a irrupção do inesperado, o desaparecimento das figuras públicas causa-nos ainda mais consternação, por descobrirmos que por detrás das imagens mediáticas se encontra uma vida "como a nossa". Agora, é a vez dos partidos suspenderem as campanhas. De se "respeitar a memória". De se gerir o não-dito. Carlos Magno alertava há pouco, no telejornal da RTP1, para alguma hipocrisia latente nestes discursos, antes de ser forçadamente interrompido para anúncios publicitários. O "pai e o piriquito" do défice, o "senhor de óculos esquisitos" a quem "faltava coisas" em termos físicos, é agora o "homem bom", o "democrata", o "universitário", como se o respeito pela vida apenas começasse no momento em que ela se acaba.
Transformados os mass media num enorme livro de condolências, será nos próximos três dias que tudo se irá jogar. Infelizmente. Que me perdoem o assomo de realismo político, mas penso mesmo que a campanha só agora começará.

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