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14 junho 2004 

o que eles agora sabem


A direita sofreu nas eleições de ontem a sua maior derrota desde o 25 de Abril. Junta, a esquerda quase chega aos dois terços dos votos. O PS ganha, o Bloco de Esquerda quase triplica a percentagem de votantes, a CDU não perde.
Hilariante, quase confrangedor, foi seguir os comentários dos responsáveis da coligação "Força Portugal". Carlos Coelho atirou que "os dados disponíveis até ao momento, indicam que o grande vencedor foi a abstenção" (a mesma que venceu todas as eleições europeias anteriores e o referendo sobre o aborto). Pedro Mota Soares,a fugir com o rabo à seringa, disse que perante este quadro "é impossível tirar quaisquer ilacções". Portas, em delírio encenado, agradeceu a todos os apoiantes, "os que votaram e os que não votaram". Durão, mais masoquista, entendeu os resultados eleitorais "como um estímulo". Todos eles fizeram notar que estas eram eleições "europeias" e não "legislativas" como se o óbvio cobrisse o evidente - PSD e PP, não obstante pertencerem a diferentes grupos parlamentares europeus, decidiram ir a votos coligados, transformando ainda mais esta eleição numa sondagem à popularidade das medidas governamentais. O resultado está à vista.
Para lá do contorcionismo político, eles sabem a partir de agora que governam em apertada minoria.

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