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24 junho 2004 

uma casa portuguesa concerteza


Neste cartaz de Martins Barata pode-se observar todo o substrato ideológico e valorativo do Estado Novo. Temos Deus (na cruz), a Pátria (a bandeira nacional desfraldada ao longe, no castelo) e a Família (com os seus lugares bem definidos: o homem chegando de um "honesto" trabalho rural; a mulher dedicada à lida doméstica; o filho envergando a farda da Mocidade Portuguesa).
Ultrapassada a trilogia salazarista, sobrevivem-lhe alguns pormenores de verdadeiro "horror estético". Às vezes sonho com um deles: um tampo de mármore segura um castiçal e um alvo naperon. Tudo o que está em redor é ofuscado pelo peso de um enorme rosário. Por trás, um espelho tripartido transforma a imagem num quadro cubista. Quando acordo, sei que vi o medo.

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