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12 julho 2004 

a história de amor de Abelardo e Heloísa e a moral que lhe lá vai dentro


Aos 37 anos, Abelardo, o maior filósofo do século XII, conhece a bela e jovem Heloísa, de 17 anos, sobrinha do cónego Fulbert, e apaixona-se. Aluna e mestre, amante e amada, palavras e desejo, formam então pares confluentes. Surpreendidos em "flagrante delito", o amor entre ambos torna-se furtivo. Heloísa engravida e foge, disfarçada de religiosa, para casa de uma irmã. O filho nasce e recebe o nome de Astrolábio. Abelardo pensa no casamento como forma de acalmar a ira de Fulbert mas Heloísa demove-o. Escreve-lhe então:

Não poderias ocupar-te com o mesmo cuidado duma esposa e da filosofia. Como conciliarias as lições com as criadas, as bibliotecas com os berços, os livros com as rocas, as penas com os fusos? (...) Para os ricos isso é possível porque têm palácios ou casas suficientemente grandes para nelas conseguirem isolar-se, porque a sua opulência não se ressente com as despesas, porque não são quotidianamente crucificados pelas preocupações materiais. Mas não é essa a condição dos intelectuais.

Heloísa gastará o resto dos seus dias num convento, trocando furiosas cartas de amor com Abelardo que, entretanto, havia sido castrado a mando do ignóbil cónego.

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