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17 julho 2004 

terra, mar e baby-sitting (revisitado)

Quando iam para a lavoura, os camponeses de algum Portugal enterravam os filhos que os acompanhavam pela cintura. Imobilizada a vivacidade aleatória dos petizes, os adultos podiam entregar-se às suas tarefas compassadas. Nesses dias, eram as sombras das árvores que recolhiam os pequenos corpos geometricamente plantados no barro. Quando o sol se empinava, um ou outro rebento menos protegido sofria uma insolação. Levados para casa, avós vagarosas curavam a vermelhidão da face com uma dose robusta de sardinhas prateadas. Era assim que, naqueles tempos, se sabia adiar a morte: emparelhando os cactos partidos. Terra e mar, trabalho e paciência, boca e espírito, eram os nomes todos com que se compunha o remédio santo.

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