« Home | só pode » | domingo no mundo » | para um novo (velho) proverbiário - V » | as teias da lucidez » | despertei assim » | é hora » | felicidade e bafio » | almofadas » | para um novo proverbiário - IV » | retratos: o girino » 

10 fevereiro 2005 

dor de olhos



A consolidação do fenómeno "weblog" tem vindo a provocar uma série de inovações no interior do espaço comunicacional. Em primeiro lugar, turvou a habitual distinção entre público e privado, disseminando-se em registos onde as duas dimensões frequentemente se entrelaçam. Em segundo lugar, este modo "amalgamado" de comunicabilidade, trouxe consigo uma nova abordagem dos assuntos, mais intimista e pessoal, mas também mais comprometida e "vigilante". Em terceiro lugar, a contínua profusão de blogues tem vindo a assinalar uma importante democratização do acto de "publicar", transformando de imediato (e este "de imediato" é também ele significativo) a "palavra proferida" em "palavra publicada".
Todavia, hoje, ao ler o espaço que o Público em tempo de campanha dedica aos "bloggers", pude confirmar que, num aspecto específico, os meios tradicionais continuam a levar avanço sobre os novos meios de expressão e comunicação: na "qualidade" do suporte, ou por outras palavras, na incapacidade manifesta do écran superar o papel. E não falo do lado afectivo dos livros e dos jornais: os cheiros a tinta, a café ou a neblina matinal. Falo simplesmente da leitura mais suave e arrumada que proporcionam.
Não há noite em que não me descubra perplexo por esta permanência da "Galáxia de Gutenberg". Como se o papel fosse inexpugnável. Incontornável. Insubstituível. Ou talvez o seja apenas para mim, ser infeliz que se ficar duas horas diante de um écran o vê transformar-se numa cebola.

|