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21 fevereiro 2005 

transbordo



A meu lado, o explorador de mão-de-obra de S. João da Madeira dispara: os portugueses têm é de trabalhar mais horas! Sei bem como é... então as mulheres... E virando-se para a senhora mulata: olhe, a culpa foi deles, dos suecos, que deram armas aos pretos! Eu estava e não era como se diz! A conversa enjoa mais do que a comida do avião: pesto e uma nhanha doce. O industrial reclama: quero vinho! Faz parte da minha cultura! Uma revista no bolso da cadeira ajuda a distrair. Nela, uma frase luminosa de um fotógrafo alemão: quem tem medo da morte, limita-se. Sinto uma leve alegria a reconstruir-se. Cá, em baixo, a quatro mil metros de distância, e sem festa, a esquerda vencia as eleições.

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