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21 abril 2005 

coisas que não mudam



Não há dias normais. Sábado, por exemplo, tinha tudo para ser um dia normal. Acordei como se acorda num sábado, bebi café como se bebe nos sábados, fui comprar iogurtes e kiwis, como geralmente se faz aos sábados. Mas à saída do hipermercado, tudo mudara. As coisas já não eram as mesmas. Enquanto deambulara pelas prateleiras, o espaço recuara oito séculos. A erva despontara e engolira o asfalto. Onde antes havia prédios, carros e gente com telemóveis agora há ovelhas, burros, pastos verdes, calhaus, pessoas compassadas e um castelo. À noite durmo debaixo de um carvalho onde antes estava uma bomba de gasolina. Às vezes como. Iorgurtes e kiwis. Tem-me custado a habituar. Felizmente, o hipermercado tem wireless gratuito.

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