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07 julho 2005 

London, London



Eu podia ter estado lá - a trabalhar num restaurante, a visitar o museu da cera, a apanhar gambuzinos, a ouvir o som das ruas. Londres é uma geografia possível. Da última vez que lá estive lembro-me de uma senhora que lia Nietzsche e de um rapaz que folheava uma revista de soft-porn. Talvez numa daquelas estações, talvez num daqueles autocarros.
Tenho gente conhecida em Londres que escapou ilesa. E que tinha uma grande probabilidade de ter estado ali na hora fatídica. Nestes casos, a felicidade é apenas a ausência de miséria. Uma espécie de bolinha de azeite a boiar num pântano de merda e acaso.
Quão distantes estão de nós, nestas alturas, aqueles que nos são desconhecidos mas que tocam aquilo que podíamos estar a tocar?

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