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07 Outubro 2005 

ainda a chula

Caro Fausto Bordalo Dias:

Parece que os nórdicos não conseguem compreender o ritmo da chula. Soa-lhes a compasso composto, retorcido, coisa cheia de nós e amarras. Talvez nunca ninguém lhes tenha explicado que a chula é cardíaca mas que não é, ao contrário dos outros ritmos cardíacos, um ritmo ternário. É quaternário com contratempos caprichosos. Tu mesmo o mostraste, com sussurro e estardalhaço, enquanto nos ensinavas a sinonimía dos verbos. Salta, pula, pincha, lembras-te? Por isso não te louvamos o sono quieto. Estamos cansados de esperar o último arrufo da trilogia. Vibrámos com "Por Este Rio Acima", batemos palmas às "Crónicas da Terra Ardente", dançámos ao vivo em "Grande, Grande é a Viagem". Mas, sinceramente, aquela coisa da "Ópera Mágica do Cantor Maldito" não nos convenceu. Simulacro menor de uma promessa que tarda. Nós, os báquicos, rogamos: grava, Fausto, grava, que este silêncio já não se aguenta. Se tiveres dúvidas, absorve a sentença dos Gaiteiros: contra chula não há argumentos.
Atenciosamente,
Miguel Cardina

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